quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Catalunha

Será que Rajoy não se apercebe que ao usar demasiada força, apreendendo boletins de voto e prendendo altos responsáveis catalães, pode estar a provocar uma reacção nos potenciais votantes no referendo que tenha como resultado um aumento significativo dos votos favoráveis à independência da Catalunha? Se bem que se escude na constituição, na lei e em decisões judiciais, a violência da acção da guarda às ordens de Madrid só poderá potenciar as opiniões contrárias, mesmo em cidadãos que estariam, sem esta acção, mais inclinados à abstenção ou ao voto contra.

Vistos gold e xenofobia

Segundo o Jornal de Notícias, Catarina Martins teria insistido no fim dos vistos gold alegando que,  além de provocar a especulação imobiliária, serve ainda "para lavar dinheiro de esquemas de corrupção".

 A ser verdade, espanta-me porque é que Passos Coelho é acusado pelo BE de racismo e xenofobia por criticar as alterações propostas à lei da imigração e ainda ninguém ter considerado as afirmações de Catarina Martins como racistas e xenófobas (No caso de racismo, certamente que Catarina não merece críticas, pois, tal como Passos Coelho, não há nada relacionado com raças humanas nas respectivas questões, mas a relação com xenofobia parece-me óbvia).

Também me espanta que o candidato do PSD à Câmara de Loures continue e ser acusado também de racismo e xenofobia por generalizar para uma determinada etnia considerações sobre comportamentos que comprovadamente alguns membros desta etnia seguem. Exactamente o mesmo tipo de generalização que a coordenadora do Bloco de Esquerda faz, não em relação a uma etnia, mas em relação a todos os requerentes de vistos gold. Serão todos corruptos? Isto não é autêntica xenofobia?

domingo, 17 de setembro de 2017

Retrato em alta definição da Dona Geringonça

O Primeiro Ministro António Costa deu uma entrevista ao DN, o Ministro das Finanças, Mário Centeno deu uma entrevista à RTP, mas mais importante do que disseram e prometeram é o artigo de João Cortês n'O Insurgente, que escalpeliza em pormenor a acção do Governo da Geringonça e apresenta uma lista pormenorizada das principais medidas que o dito tem tomado desde que tomou posse mercê de um truque - legal,  mas que não deixa de ser truque. Esta lista, que classifica o tipo e o carácter positivo ou negativo de cada medida com gradações e consequências, deve ser lida, meditada e guardada por todos os que se interessam pelo modo como o País está a ser conduzido.

Não resisto a transcrever alguns parágrafos do artigo, mas esta transcrição não deve evitar a sua leitura na íntegra:

"Não se pode comparar a governação durante um período de recessão ou de execução de um programa de ajustamento (no caso do governo anterior, existia a obrigação de cumprir um programa de ajustamento negociado e acordado pelo partido socialista liderado então por José Sócrates). Alguém dúvida que se o partido socialista tivesse vencido as eleições em 2011 a política “austeritária” conduzida teria sido muito diferente? Um país falido e endividado até aos limites tem sempre poucas opções. O governo da geringonça quando tomou posse, Portugal já tinha saído do programa de ajustamento (uma saída “limpa”), reformas importantes (mas insuficientes no meu entender) já tinham sido realizadas, e já se observava uma tendência clara de recuperação económica, quer por via do crescimento económico, quer por via da recuperação de emprego. O governo da geringonça beneficiou ainda de condições favoráveis excepcionais das quais destaco:
  1. o crescimento generalizado das economias europeias, americanas e asiáticas (algo que por si só favorece as exportações e o investimento estrangeiro).
  2. taxas de juro extraordinariamente baixas, devido essencialmente ao programa de quantiative easing do Banco Central Europeu.
  3. o crescimento do turismo, não só pelo aumento da quantidade e qualidade da oferta (para que muito contribuiram as companhias aéreas low cost), mas também pelo aumento da procura resultante do facto de outros destinos tradicionais se terem tornado muito pouco atractivos por motivos de segurança.
  4. a queda do preço do barril de petróleo que reduz o défice da balança comercial e liberta recursos financeiros para serem aplicados em outras actividades económicas.
De salientar que, dada a conjuntura favorável, este seria o momento ideal para realizar todo o género de reformas estruturais. Ao invés de aproveitar esta oportunidade, o governo optou por reverter algumas das reformas do governo anterior e manter o status quo o mais possível, privilegiando sempre uma política de curto prazo (num concurso de popularidade e de compra de votos com o objectivo de se manter no poder) em detrimento do longo prazo, como explicarei neste post. Ao mesmo tempo, a dívida pública este ano atingiu valores recorde em termos absolutos e em proporção do PIB.
Devo notar também que a popularidade da geringonça também se deve ao facto de termos um presidente da república mais interessado na sua popularidade e em evitar conflitos do que em desempenhar a sua função; e a uma comunicação social que de forma muito geral, é acrítica e aceita passivamente todo o tipo de vacuidades produzidas pelo governo; e que objectivamente privilegia e favorece a esquerda. Sobre a parcialidade da comunicação social, basta fazer um exercício mental para imaginar como é que os casos das 65 mortes nos incêndios de Pedrógão Grande; o recorde da àrea ardida pelos incêndios em 2017 ; ou o roubo de Tancos seriam tratados caso estivessemos perante um governo de liderado por Passos Coelho."

Esta longa transcrição é apenas uma pequena amostra.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Autoeuropa 1-0

O que está a acontecer na Autoeuropa é um novo campo da rivalidade entre os 2 partidos comunistas, o clássico estalinista e o novo trotskista-maoista, em que o primeiro está a conseguir expulsar o segundo do seu principal (único?) bastião industrial. O PCP e a sua correia de transmissão estão neste momento a ganhar por 1-0 ao BE. Em parte, tanto quanto me é dado concluir com os poucos dados que possuo, por o BE ter cedido campo, ao aceitar os resultados de uma negociação sem ter a noção de que a maioria dos trabalhadores não estariam de acordo. Estou curioso por seguir o desenvolvimento da situação.

Cavaco disse, eu já tinha dito

Gostei da lição de Cavaco Silva na Universidade de Verão do PSD. E gostei principalmente da passagem em que citou casos em que a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia, como disse, "tirar-lhe o tapete". É outra maneira de dizer que a matemática é implacável, verdade que eu já desenvolvera, não só a propósito da Grécia, como para o nosso caso no início do Governo de António Costa. É claro que, como então eu disse, se aplicarmos a matemática a números errados, podemos obter o resultado que quisermos, justificando aparentemente os maiores disparates. Mas se, como é o caso referido por Cavaco, aplicarmos a matemática à realidade, então o resultado obtido mostrará o lado implacável da ciência exacta. E esse resultado só estará em concordância com a ideologia se essa ideologia estiver certa, caso contrário mostra os erros, as incongruências e as contradições da ideologia em questão. É o que Cavaco chama "tirar-lhe o tapete". Foi o que aconteceu quando Costa e Centeno tiveram de mudar de estratégia e, em vez de acabar, como prometido, com a austeridade, mudar de tipo de austeridade, tirando dinheiro a muitos a favor de dar mais algum dinheiro, não muito, só a alguns, além de, por outro lado, reduzir a despesa cortando no investimento e aplicando cortes cegos a que chamaram cativações. Quando Costa, Centeno e os seus seguidores concluem triunfantemente que afinal sempre havia uma alternativa, esquecem que a alternativa que encontraram à austeridade da troika foi um tipo diferente de austeridade, e só não foi mais porque o enquadramento económico internacional entretanto tem melhorado.

sábado, 26 de agosto de 2017

Ainda a iguialdde de género

Excelente artigo de Mário Amorim Lopes no Observador. A teoria da igualdade de género desmascarada.

E se eu quiser agora comprar o livro da Porto Editora para menino ou o para menina, já não o poderei fazer. No tempo do Salazarismo ainda podíamos comprar livros proibidos na Barata. E agora? Que democracia é esta que cerceia a minha liberdade? Que vai acontecer aos livros? Serão queimados, qual novo Fahrenheit 451? No nazismo os livros condenados eram queimados em público. Ao menos assumiam os seus actos. Não era menos condenável, mas era mais, digamos, honesto (ou mais descarado...)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Igualdade de género

Como é que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (em bom português deveria ser Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género) tolera que exista um canal de TV dedicado exclusivamente ao género feminino? Estou à espera que exija, faça forte pressão, ou pelo menos recomende que o canal SIC-Mulher seja encerrado. Tenho uma sugestão: mudar-lhe o nome para SIC-Frivolidades, designação que assenta como uma luva na respectiva programação. Não se fala em género e muito menos em sexo, palavra que caiu em desuso a não ser para designar o sexo propriamente dito. Lembrei-me de outra solução, que seria criar o canal SIC-Homem, mas, se publicar livros diferenciados para Menino e Menina é condenável, suponho que a criação de tal canal dirigido ao público masculino não seria bem aceite.