quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Discursos

Ontem critiquei o discurso do Primeiro Ministro. Mas hoje, depois de ouvir o discurso do Presidente da República, faria uma crítica muito mais violenta. Dois discursos totalmente diferentes, um altivo e desculpabilizante, insensível e frouxo, outro humano e dirigido às pessoas que sofreram, responsabilizante e sem receio de pedir desculpa. Se o modo de tomar as medidas e seguir as recomendações que o que se passou impõem seguir o modelo do primeiro discurso, o que é provável visto isto ser feito sob o comando do PM, temo que não seja feito o suficiente, quer no aspecto de consequências sobre os responsáveis, quer no que se refere à reformulação das estruturas e às medidas de reformas e de precauções a tomar. Se assim for, espero bem que o autor do segundo discurso tire as devidas consequências.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Incêndios

Está quase tudo dito. Falta só acrescentar que alguém devia dizer ao Costa que para falar ao País na actual situação para dizer que fez o possível, que em 4 meses não era possível fazer mais e que no Sábado vai reunir o Governo para discutir um relatório, mais algumas frases ocas e sem sentido, mais valia ter ficado calado.

Aumento de impostos

Talvez ainda alguém com boa memória se lembre das violentas críticas da esquerda quando o Ministro Vítor Gaspar anunciou um brutal aumento de impostos. Seria lógico, perante essas críticas, que o PS, apoiado pelos dois partidos da esquerda comunista, já tivesse feito uma brutal descida dos impostos. Mas a prática deste Governo, na melhor tradição da esquerda, nada tem de lógico. Só que enquanto Vítor Gaspar teve a honestidade de dizer a verdade sem mentir, disfarçar ou esconder a gravidade da decisão, agora a mentira e o disfarce são a norma. O próprio Centeno, que parece uma pessoa honesta, disse que a carga fiscal ia diminuir em 2018. Referia-se à percentagem de receita fiscal em relação ao PIB. Ora o próprio Orçamento de Estado mostra que as previsões de receita fiscal aumenta de 2017 (42.174 milhões de euros) para 2018 (43.047 milhões), tal como já aumentara de 2016 para 2017. Só que desta vez o crescimento do PIB previsto é um pouco maior do que o aumento dos impostos, pelo que estes apresentam um valor inferior em percentagem do PIB, mas não é correcto dizer que diminuíram.

domingo, 15 de outubro de 2017

Provérbios

Há um provérbio recente, fruto de normas politicamente correctas, que reza assim: "O que sabe bem ou faz mal à saúde ou é pecado". Pois agora há que acrescentar mais uma característica das coisas que sabem bem. A nova versão do provérbio pode ser: "O que sabe bem ou faz mal à saúde ou é pecado ou tem de ser taxado".

Mas as novas versões não são só de provérbios; são também de normas fiscais. Mariana Mortágua ditou, já lá vai um ano, a regra: "a primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro". Pois agora o PS, aparentemente sem a ajuda das pequenas do BE, criou numa nova versão: "e a segunda coisa é perder a vergonha de ir buscar dinheiro onde ele mais circula". A voracidade do Governo dará ainda  para se descobrir uma terceira coisa a fazer para ir buscar dinheiro, um quarta e por aí adiante. Parece que algumas até já estão na calha.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Sócrates: depois da tragédia, a farça

Como pensei e até escrevi quando Sócrates foi preso ao chegar a Lisboa em 2014, não sei se a detenção foi justa. Mesmo agora, perante a acusação demolidora, não posso ter a certeza se é ou não culpado. Espero bem que o julgamento seja justo e não deixe dúvidas. Só sei que é pena não ser possível condená-lo a uma pesada pena pela maneira como governou o País e pela pesadíssima herança que nos deixou e que ainda hoje continua a ter reflexos perversos. É certo que em política a má governação paga-se nas urnas, quando se paga. E assim é que está certo. Mas em casos tão graves como a banca rota que a sua governação causou, é pena que não possa haver castigo mais penoso. Por isso não consigo ter pena de Sócrates, aconteça o que acontecer.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Finalmente um pouco de bom senso

Na complicada questão da Catalunha houve finalmente um pouco de bom senso. Até hoje tanto um lado como o outro apenas tinham acções que levavam a maior afastamento de um possível desfecho pacífico. Hoje, uma declaração de independência imediata teria como efeito previsível uma reacção da parte do Governo central de Espanha que poderia levar a confrontos de graves  consequências. Mas, apesar de algumas pressões de independentistas mais radicais, o Presidente da Catalunha optou, ao que parece após conversações e hesitações, por uma declaração de independência com efeitos suspensos para possibilitar um diálogo, diálogo que era preconizado por vários sectores, quer catalães, quer exteriores. Mas não se pode pensar que todos os perigos passaram. A primeira reacção de um membro do Governo espanhol não foi apaziguadora, ao declarar que a Espanha não aceita qualquer chantagem. Ouvi na íntegra o discurso de Puigdemont, mas, com traduções simultâneas ao que me pareceu incompletas e com a dificuldade de compreender completamente o atropelo do discurso em catalão e em castelhano original e em sobreposição a tradução portuguesa, não consegui apanhar tudo em condições.Mas do que ouvi não me pareceu que em todo o discurso houvesse algo que se pudesse considerar como chantagem. No entanto deu para entender que o Presidente catalão fez uma longa introdução justificativa com argumentos que não poderão ser aceites pelo Governo espanhol, por se basear numa lei de referendo e nos resultados do próprio referendo que Espanha considera ilegais e inválidos. Se Rajoy aceitar negociar não será, com certeza, na base em que Puigdemont tentou colocar a questão. Mas se Rajoy recusar o diálogo e não corresponder ao convite para conversações por a base proposta ser a busca de uma via para a independência, cometerá um grave erro, voltando-se à situação imprevisível mas potencialmente explosiva anterior. Uma mediação de alguém do exterior que não seja espanhol nem catalão poderá ajudar a evitar confrontos violentos.

domingo, 8 de outubro de 2017

Notícia macabra dada de modo indigno

O canal Euronews noticiou hoje que foram encontradas as pernas e a cabeça da jornalista dinamarquesa Kim Wall, desaparecida em Agosto depois de embarcar no submarino artesanal construído por Peter Madsen, de quem se suspeita que lhe tenha causado a morte. Mas a notícia é dada de modo indigno, começando pela seguinte frase: "Era um caso sem pés nem cabeça". É brincar com a cena dramática de terem sido encontrados mais pedaços do corpo da vítima. A página da Euronews na net redige do mesmo modo. É um trocadilho trágico que não devia ter sido apresentado numa notícia séria.