quarta-feira, 18 de abril de 2018

Operação Marquês

Fiquei espantado e mesmo impressionado com a transmissão pela SIC, imitada pela CMTV, de excertos do interrogatório do senhor José Sócrates, chamado frequentemente por "senhor engenheiro", no âmbito da operação Marquês. É necessário ter em conta que os excertos foram escolhidos e desenquadrados da sequência do interrogatório. Mas mesmo assim o que vi suscitou-me dois tipos de dúvidas: 1) Serão assim habitualmente os interrogatórios judiciais? Mais parecia um debate do que um interrogatório. Estabeleceu-se por vezes um diálogo entre o magistrado e o arguido em que este chegou a pôr questões ao procurador, invertendo os papéis. O mais espantoso é que o procurador, em vez de cortar o diálogo, por vezes o sustentava. É certo que uma vez chegou a dizer qualquer coisa como "Eu interrogo e o senhor responde sim ou não", mas logo em seguida permitiu que o debate se restabelecesse. A agressividade de Sócrates, atitude estudada e provavelmente ensaiada, tinha evidentemente por fim cansar e desencorajar o interrogador. Sempre pensei que um interrogatório judicial tivesse outra formalidade e outra disciplina. 2) Apesar de o processo já não se encontrar em segredo de justiça, não pensei que fosse possível e fosse legítimo ter acesso a gravações e muito menos transmiti-las para o público. Segundo algumas notícias parece que tal não é legal. Espero para ver as consequências.

sábado, 14 de abril de 2018

Sexo e género

Muito pertinentes as considerações de Carlos Loureiro sobre a questão levantada pela nova lei de autodeterminação de género. Se cada um pode escolher sem mais o género que prefere, que sentido tem a obrigatoriedade dessa preferência figurar nos documentos oficiais. Tanto como o meu gosto por música clássica ou pela cor verde. Mas afinal o que os documentos oficiais, como o cartão de cidadão, registam é o sexo e não o género. O que resulta da alteração voluntária é uma mentira. O sexo é definido biologicamente e não muda apenas por um acto de vontade e um registo em documentos.

Stephen Hawking chumbado

Já era esperada a notícia de que a nota em Educação Física entraria na média da nota de candidatura ao ensino superior. Mas eu ainda tinha alguma esperança de que sobrasse um pouco de bom senso para evitar tal disparate. Mas não foi assim. Que seja requisito para alguns cursos, compreende-se. Que tenha influência na seriação de entrada em cursos como os de línguas ou de Matemática parece-me completamente aberrante. Se da consulta pública não resultar uma modificação ao diploma, vai certamente acontecer que um brilhante aluno de Física ou de Literatura, mas que falhe em saltos no plinto, seja ultrapassado por um estudante atlético mas de menor espírito científico ou jeito para as letras e perca a vaga no curso pretendido por um defeito que nada tem a ver com a carreira que pretende seguir. O exemplo de Stephen Hawking é flagrante. Não interessa que quando se candidatou e quando foi admitido à Universidade ainda não se tinha declarado a sua doença incapacitante; o que é certo é que quando se doutorou e mais tarde quando lhe foi concedida a cátedra que fora de Newton já a doença limitava gravemente a sua actividade física. Haverá certamente muitos outros exemplos que provam que a eficiência em Educação Física não tem influência nas capacidade de entrar e concluir um curso superior nem de seguir a carreira profissional para que esse curso prepara.

domingo, 8 de abril de 2018

Racismo?

Catarina Martins afirmou que "a prisão de Lula da Silva não é sobre corrupção. É um golpe da direita reaccionária, racista e fascista." Que seja um golpe é discutível, não creio que seja fascista, mas que seja racista nem dá para perceber. De que raça é Lula?

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Poesias e canções

Num novo blog, de título "Poesias e Canções", publicarei algumas poesias e letras de canções que me marcaram ou que me agradam especialmente. Ainda há pouco que ver, mas convido quem me seguir a visitar o novo blog em poesiaseletrasdecancoes.blogspot.pt.

Desmascarando tentativas de engano

A carga fiscal aumenta. O Governo, pela voz de Mário Centeno tenta desmentir. Basta ler Ricardo Arroja para ter perfeita noção do engano. Arroja explica de modo a que todos possam compreender como Centeno usa argumentos enganadores para disfarçar a realidade. Conclui: "as receitas de contribuições e impostos cresceram mais do que a riqueza gerada na economia. ...  Receita fiscal que, tendo passado a remunerar mais o Estado em proporção da riqueza gerada na economia, reduziu em termos relativos a remuneração globalmente atribuída ao trabalho e ao capital. A isto se chama aumentar a carga fiscal." Claríssimo,

A dívida pública aumenta. O Governo faz crer q1ue está a reduzir a dívida pública. Basta ler Pinho Cardão para verificar como nos estão a querer enganar.

E isto são só exemplos.


domingo, 1 de abril de 2018

; (Ponto e vírgula)

Não, não me quero referir ao sinal gramatical "ponto e vírgula" (;) usado em escrita normal para dividir frases relacionadas que não merecem ser separadas por pontos. Vou antes falar do uso em escrita numérica do ponto ou da vírgula conforme as situações. Primeiro há que lembrar que há países em que o separador decimal, que separa o algarismo das unidades da parte decimal de um número, é um ponto e que há outros países que usam, para o mesmo fim, uma vírgula. Entre os primeiros estão os países de expressão inglesa e os da maior parte da Ásia; os restantes, os da América Central e do Sul e a maioria dos países europeus continentais, usam a vírgula. Portugal integra-se nestes últimos.




O uso da vírgula como separador decimal é, em Portugal, ensinado na escola primária, no liceu ou nas escola  do ensino secundário e nas universidades. Mas verifica-se que o uso do ponto é muito frequente. Tanto jornalistas como oradores das mais diversas categorias, até ministros, incluindo os das áreas que mais lidam com números, os das Finanças e da Economia, de quaisquer partidos, tanto dizem que o PIB cresceu dois vírgula sete como dizem, com a mesma cara, que foi dois ponto sete. Parece-me que até usam mais vezes o ponto que a vírgula. Porque será? Talvez influência do inglês, como também acontece na errada designação de "bilião" para o milhar de milhões. Mas não há dúvida que segundo as leis portuguesas o uso da vírgula é correcto e o do ponto está errado. Mais a mais pode usar-se um ponto para dividir os números extensos em classes de milhares, separando-os em grupos de três algarismos. Os ingleses e os outros países que usam o ponto como separador decimal usam, para este último fim, uma vírgula.  Assim a utilização errada pode dar origem a erros, por vezes com consequências graves. Note-se que esta utilização quer de pontos quer de vírgulas para separar os números em grupos de três algarismos não é recomendada pela 22ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, que indica que neste caso se deve usar apenas um intervalo. Era bom que estas normas fossem cumpridas para nos entendermos e evitar confusões.